domingo, 24 de março de 2019

Biografia de Horácio - poeta e filósofo

Quinto Horácio Flaco, em latim Quintus Horatius Flaccus, nasceu em Venúsia, a 8 de Dezembro de 65 a.C., e, faleceu em Roma, a 27 de Novembro de 8 a.C.. Horácio foi um poeta lírico e satírico romano, além de filósofo. É conhecido por ser um dos maiores poetas da Roma Antiga.

Vida

Filho de um escravo liberto, que possuía a função de receber o dinheiro público nos leilões, recebeu uma boa educação para alguém com suas origens sociais, graças aos recursos que seu pai conseguiu, levando-o para Roma onde foi discípulo de Orbílio Pupilo. Seus estudos literários de Roma foram completados em Atenas, para onde foi, aos vinte anos. Quando em 44 a.C. eclodiu a guerra civil que se seguiu ao assassinato de Júlio César, Horácio tomou partido daqueles que participaram da morte deste, Bruto e Cássio, servindo até a Batalha de Filipos onde, ao avizinhar-se a derrota, fugiu de volta para Roma. Já sem o pai, que havia morrido, e tendo perdido todos os bens que este possuía, que foram confiscados, Horácio conseguiu um trabalho como escriturário, tendo assim ocasião de começar a escrever suas obras literárias. Conhece então o poeta Virgílio, que o apresenta a Mecenas que, após nove meses, o convoca para integrar o círculo de artistas protegidos, tornando-se assim um dos poetas oficiais do estado, tendo a amizade a partir dali aumentado a tal ponto que o protetor deu-lhe de presente uma vila. Eclodem, então, as lutas de Otaviano contra Cleópatra e Marco Antônio (32-30 a.C.), tomando então Horácio entusiasta partido do primeiro que, sagrando-se vitorioso em Ácio, dele recebeu exultação pela conquista. Tendo início o Império, e Otaviano passando a chamar-se Augusto, tem início um período de paz que o poeta louvou, agradando ao imperador que, então, lhe oferece o cargo de secretário, sendo a oferta recusada. Também recusa os pedidos de Mecenas e Augusto para que cantasse os feitos guerreiros, preferindo exaltar o papel de pacificador do governante, dedicando-se aos poemas curtos e com temas variados. Segundo Enzo Marmorale, Horácio “era de baixa estatura, quase gordo, moreno, de cabelos pretos, e bom orador”; mesmo havendo jurado que não sobreviveria a Mecenas, sua morte deu-se a 27 de Novembro de 8 a.C., meses após o falecimento do amigo, ao lado de quem foi sepultado no Esquilino (é a mais alta e a mais longa das sete colinas sobre as quais foi fundada a cidade de Roma, 58,3 metros acima do nível do mar na Via del Oppio e é formada por três cumes distintos: o Ópio, no setor sul, o Fagutal, no setor ocidental ao lado do Vélia, e o Císpio (em latim: Cispius) no setor norte, onde hoje está a Basílica de Santa Maria Maio).

Filosofia epicurista

Alguns de seus poemas são apontados como exemplos do impacto da filosofia epicurista na Roma Antiga. Não sendo um filósofo ele mesmo no sentido estreito do termo, ele se mostrou um filósofo ao não evitar o tema em seus poemas alguns temas epicuristas destacam-se em sua obra, como a importância em se aproveitar o presente (carpe diem) pelo reconhecimento da brevidade da vida e a busca pela tranquilidade (fugere urbem).

Bibliografia

Sua obra pode ser dividida em quatro gêneros:
  • Sátiras ou sermones — Retrata ironia de seu tempo dividida em dois livros escritos em hexâmetros. Baseado em assuntos literários ou morais, discute questões éticas.
  • Odes ou Carminas — Divididos em quatro livros de longos poemas líricos sobre assuntos diversos, geralmente sobre mitologia. Também em hexâmetros.
  • Epístolas ou cartas — Dois livros feitos de coleções de cartas sobre vários assuntos. Dentre elas destaca-se a maior, a Epístola aos Pisões, conhecida como Arte Poética.
  • Epodos ou iambos — Um livro somente, com 17 pequenos poemas líricos escritos na mocidade sobre assuntos de Roma e imitava, tanto na métrica quanto no estilo satírico, o poeta Arquíloco.

Livros

  • (35 a.C.) Sermonum liber primus ou Sátira I
  • (30 a.C.) Epodos
  • (30 a.C.) Sermonum liber secundus ou Sátira II
  • (23 a.C.) Carminum liber primus ou Odes I
  • (23 a.C.) Carminum liber secundus ou Odes II
  • (23 a.C.) Carminum liber tertius ou Odes III
  • (20 a.C.) Epistularum liber primus
  • (18 a.C.) Ars Poetica, ou Epístola aos Pisões
  • (17 a.C.) Carmen Saeculare ou Canto secular
  • (14 a.C.) Epistularum liber secundus
  • (13 a.C.) Carminum liber quartus ou Odes IV

Epodos

Epodos é como se conhece uma das obras de Horácio, poeta romano do século I a.C., que reúne versos escritos em forma de epodo (e também de iambos), com 17 pequenos poemas versando sobre assuntos de Roma. A obra divide-se em duas partes (Epodos 1-10 e 11-17). Fruto da juventude do poeta, foram escritos ao mesmo tempo que o primeiro volume de suas Sátiras, entre os anos 41-30 a.C., à moda do poeta grego Arquíloco.

Análise da obra

Neste trabalho, como nos demais de Horácio, notam-se várias narrativas autobiográficas: o autor usa seguidamente a primeira pessoa, construindo em seus livros (às vezes de forma não tão clara ao leitor moderno) suas idades, de tal forma que este é um elemento que serve de ligação entre as suas obras. Embora essas afirmações sejam aceitas de forma controversa, Horácio parece ter sofrido influência dos trabalhos de Catulo (na divisão da obra em duas partes, por exemplo) e de Calímaco, apresentando-se como seguidor de Lucílio, poeta satírico (tal como se declararam ainda Safo e Alceu). Este tipo de poesia, originário da Grécia, a chamada "poesia iâmbica" ou "iambos", era conhecida pelo seu tom coloquial e invectivo, tendo casos como o de Arquíloco, em que era uma invectiva ofensiva.

Exemplo - o Epodo X

Neste epodo Horácio lança suas invectivas contra um indivíduo da Gália chamado Mérvio, por ele dito como mau versejador, contrário às suas preferências pelo classicismo antigo. Assim, nos seus versos, evoca Horácio as forças da natureza para que, estando Mérvio ao mar, tudo ocorra para seu fim em um naufrágio; na linguagem empregada serve-se de metáforas e prosopopeias.
Excerto:
Sai do porto, com mau auspício, a nau, levando o fétido Mévio.
Lembra-te, ó Austro, de bater ambos os lados com terríveis ondas.
Revolvendo o mar, que o tenebroso Euro disperse os cabos e os remos quebrados.
que Aquilão surja quão grande os altos montes que destrói as agitadas azinheiras.
Que não apareça astro favorável na sombria noite em que o irado Órion se põe,
nem que seja levado em mar mais tranquilo que tropa Grega dos vencedores, quando, incendiada Troia,
Palas voltou sua ira contra a ímpia nau de Ájax.



Referências